sexta-feira, 13 de julho de 2012

Teste mostra que extrato de cacto brasileiro ajuda a emagrecer

 

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

Mais um medicamento fitoterápico ganhou o título de "emagrecedor", e dessa vez não só em redes sociais e sites de vendas. O Koubo, nome comercial de um extrato de cactos brasileiros (Cereus sp.) que inclui a planta da pitaia, foi testado e aprovado em uma pesquisa feita com 65 pessoas no Cescage (Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais), em Ponta Grossa, no Paraná.

O estudo não foi publicado em revista científica e está sendo apresentado pela indústria na feira de farmácia e cosméticos Consulfarma, que começou hoje e vai até sábado, em São Paulo.

Leticia Moreira/Folhapress

Pitaia, fruta de um tipo de cacto usado para fazer o Koubo

Pitaia, fruta de um tipo de cacto usado para fazer o Koubo

A empresa farmacêutica que comercializa o ativo faz questão de ressaltar os principais resultados da pesquisa: ingerir cápsulas do produto pode ajudar a perder, em média, 9,7 quilos e 16,6% de IMC (índice de massa corporal) em 90 dias.

No estudo, os voluntários, com IMC acima de 25 (o que já indica sobrepeso) e idade entre 25 e 60 anos, foram separados aleatoriamente em dois grupos: em um deles, os participantes ingeriram duas cápsulas de Koubo por dia (400 mg) antes das refeições; no outro, comprimidos placebo, sem efeito.

Os dois grupos receberam orientação nutricional e foram avaliados quinzenalmente. Nenhum dos voluntários sabia se estava tomando o placebo ou o medicamento.

Além de avaliar a perda de peso e de medidas, foram feitos exames de colesterol, triglicérides e glicemia. Os participantes também relataram mudanças no apetite.

Depois de 90 dias, os dois grupos tiveram perda de peso, mas no grupo que tomou o medicamento a redução foi maior: 9,7 quilos contra 2,9, em média. A redução na circunferência abdominal também foi maior entre as pessoas que tomaram Koubo: 7,8 cm contra 3,2 cm do grupo de controle.

"Vimos que o Koubo tem efeito positivo se usado como complemento nutricional com acompanhamento de especialistas. A contribuição do fitoterápico é no aumento do nível de saciedade", diz a nutricionista Lorene Yassin, professora do Cescage e orientadora do trabalho.

Segundo ela, fitoquímicos presentes na planta são capazes de inibir o apetite. "Os dois grupos relataram menor apetite --talvez por fatores psicológicos ou pelas mudanças na dieta. Mas no grupo experimental (aqueles que usaram Koubo) o apetite foi significativamente menor", complementa Yassin. O estudo não foi encomendado pela indústria.

OUTRAS EVIDÊNCIAS

O Koubo pode ser encontrado em farmácias de manipulação. Para a nutróloga Marcella Garcez Duarte, membro da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), apesar dos resultados do estudo, que ela avalia como "bem-feito", ainda "existem poucas evidências científicas que demonstram o mecanismo de ação do Koubo e validem sua prescrição".

"Minha experiência com o Koubo é bem restrita. Nas poucas vezes que eu prescrevi, não observei um resultado tão fantástico quanto o apresentado no estudo clinico", diz Duarte.

A nutricionista Fernanda Pisciolaro, membro da Abeso (associação de estudo da obesidade), analisou a pesquisa e ressalta que os resultados apareceram com acompanhamento nutricional.

"O grupo controle também alcançou melhoras no peso, gordura corporal e parâmetros metabólicos, embora em menor proporção, e o grupo experimental também recebeu orientações para mudança alimentar e de exercício. Isso mostra que o produto pode ser eficaz se associado aos métodos já consolidados para o tratamento da obesidade."

Para ela, são necessárias outras evidências para que a eficácia do Koubo seja mesmo comprovada. "Não devemos chamar de evidência algo que ainda não tenha sido replicado em diversos estudos. Não encontrei nenhuma outra pesquisa que mostrasse dados parecidos. Também não é possível garantir a segurança do produto a longo prazo."

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