domingo, 14 de julho de 2013

Sorocaba ficará sem radar móvel até o fim do ano

Por falta de interesse da Splice em renovar o contrato, serviço está interrompido no município desde dezembro

Laurin Bizoni
laurin.bizoni@jcruzeiro.com.br
programa de estágio

Sorocaba ficará sem a operação de radares móveis que estava sendo feita nas principais ruas e avenidas da cidade até o final deste ano. Durante esse período, equipes do setor de engenharia de tráfego da Urbes estarão reavaliando, em diversas vias do município, as condições de circulação e o desrespeito aos limites de velocidade, antes de publicar um novo edital para a contratação de uma empresa para operar esses equipamentos. Desde dezembro de 2012, após o contrato com a Splice ter vencido, e por falta de interesse da empresa prestadora em não renová-lo, os radares móveis não funcionam na cidade.
De acordo com os dados de 2013, a infração por dirigir com excesso de velocidade nas vias figura no primeiro lugar do ranking de multas aplicadas pela Urbes. Essa imprudência foi responsável por 17.080 autuações, que dá uma média de 5.693 multas ao mês pelos radares fixos. Já entre os primeiros quatro meses do ano passado, 17.938 autuações foram aplicadas. A Urbes informou que já concluiu os estudos do novo edital de contratação deste serviço e manteve as mesmas características técnicas e a quantidade de equipamentos. A fiscalização de velocidade vai permanecer como era feita há cerca de oito meses: três radares móveis que se revezavam em onze avenidas e três ruas da cidade. Os 130 radares fixos continuam funcionando normalmente, sem nenhuma mudança, segundo a empresa pública.
De acordo com o diretor de trânsito da Urbes, Carlos Eduardo Paschini, o trabalho que será realizado pelas equipes do setor de engenharia de tráfego, em reavaliar nas diversas vias do município as condições de circulação e o desrespeito aos limites de velocidade, tem a finalidade de estabelecer novas diretrizes técnicas para o funcionamento do dispositivo. Outro fator a ser levado em conta será a partir da conclusão de um estudo, realizado no mês de maio, que incluiu a contagem veicular na cidade, justamente para analisar o fluxo do trânsito de Sorocaba. "O objetivo desse estudo é detalhar os problemas e apontar as soluções para melhorar o fluxo de automóveis em pontos de entrada e saída da cidade, em vias públicas consideradas críticas pela Urbes. Tudo isso será levado em conta, inclusive para a operação dos radares móveis", afirmou.
A Splice ficou por pouco mais de três anos respondendo pela fiscalização da velocidade na cidade. A empresa chegou a receber R$ 325.046,40 em cada ano de operação. O total de autuações pelos radares móveis em Sorocaba foi de 7.795 em 2011 (média de 650 por mês) e 4.464 em 2012 (média de 406 por mês), de acordo com a Urbes. Pelo contrato firmado em 16 de novembro de 2009, a renovação com a empresa seria permitida.
Como funciona

Os radares móveis são colocados nas ruas e avenidas em horários aleatórios. O equipamento de medição realiza os cálculos e fornece a velocidade. Os dados colhidos são encaminhados ao departamento responsável pelo trânsito na cidade, no caso a Urbes, para a aplicação das multas. O valor da multa varia de acordo com a velocidade excedida pelo motorista. Para quem excede em até 20% o limite permitido, o valor é de R$ 85,13, o que implica ainda na perda de quatro pontos na carteira de habilitação. De 20% até 50% acima da velocidade estipulada, o valor da autuação sobe para R$ 127,69, e cinco pontos na carteira. Para quem excede em mais de 50% do limite, a multa é de R$ 574,62, com perda de sete pontos na carteira.


Motoristas

Para os motoristas sorocabanos os radares móveis não agradam. Motorista de ônibus há 28 anos, José Batista, é contra os radares móveis. "Geralmente nem avisam com antecedência sobre estes radares, simplesmente colocam nas avenidas. Como motorista de transporte público, sei das dificuldades de frear de repente, pois sem saber, há novos radares espalhados pela cidade. Com a quantidade de dinheiro que eles arrecadam com as multas, parece que só serve para tirar mais dinheiro do povo", diz José, que afirma já ter levado uma multa com o radar móvel.
O empresário Leonardo Rariz também é contra os equipamentos nas ruas e avenidas da cidade, porém a favor de campanhas educativas no trânsito. Para ele, a educação do motorista deve começar desde cedo. "Não é com punição que se ensina. As pessoas não aprendem a ser zelosas no trânsito quando são multadas, tanto que geralmente não param na primeira multa. Acredito na importância em ter esse ensino passado em sala de aula, para existir desde pequeno esse preparo e formar motoristas conscientes", conclui. (Supervisão: Daniela Jacinto)