sábado, 21 de julho de 2012

Animais foram mortos de acordo com a lei, diz Zoonoses de Sorocaba

 

Imagens de filhotes mortos causaram comoção pública. ONGs denunciam sacrifício de animais saudáveis.

Viviane Gonçalves Do G1 Sorocaba e Jundiaí

 

José Luís Chiquito, responsável pelo Centro de Controle de Zoonoses (Foto: Luana Eid / G1)José Luís Chiquito, responsável pelo Centro de Controle de Zoonoses (Foto: Luana Eid / G1)

“Respeitamos os animais. É um absurdo afirmarem que sacrificamos animais sadios.” Foi dessa forma que o responsável pelo Centro de Controle de Zoonoses de Sorocaba (SP), José Luís Chiquito Filho, reagiu à denúncia de que o setor estaria praticando a matança de animais saudáveis. A Prefeitura de Sorocaba reuniu a imprensa na noite desta quinta-feira (19) para falar sobre o caso.
Na tarde desta quarta-feira (18), a polícia encontrou 30 corpos de animais – 27 cães e três gatos – dentro do Canil Municipal. As imagens dos corpos foram divulgadas por ONGs de Proteção aos Animais, que tiveram acesso ao local, e acusam o departamento de matar os filhotes sem necessidade.

Segundo José Luís, os animais encontrados foram mortos em períodos diferentes, por razões diversas. “Dez deles foram mortos por eutanásia, causada por injeção letal. Alguns foram encontrados pelas equipes da Zoonoses já sem vida e outros eram casos suspeitos de raiva. Mas tudo foi feito dentro da lei”, afirma. Segundo o departamento, os cães sacrificados sofreriam de cinomose, doença altamente contagiosa.

Comoção
As imagens dos corpos enfileirados – alguns já em estado avançado de decomposição – divulgadas na imprensa e nas redes sociais causaram comoção. Além da hipótese de animais saudáveis estarem sendo sacrificados, foi levantada a possibilidade de que a eutanásia estivesse sendo feita de modo cruel, com o uso de uma morsa, já que algumas fotos mostram corpos de filhotes ao lado da ferramenta.

Fotmo mostra morsa ao lado de animais mortos (Foto: Honno Marques/ Arquivo Pessoal)Fotos causaram comoção na internet
(Foto: Honno Marques/ Arquivo Pessoal)

“Nós consideramos um absurdo esta acusação. O resultado da perícia vai mostrar isso. A ferramenta está lá, mas ela é usada para a retirada dos cérebros dos animais, depois de mortos, para serem enviados a São Paulo, onde são analisados”, diz.

A investigadora Maria Cassia Virgili, que esteve no local, não descarta a hipótese de que o equipamento tenha sido usado para matar alguns filhotes. "Essa possibilidade será investigada, já que a injeção letal usada na eutanásia é muito cara", afirma.

José Luís confirma que a injeção comprada pelo município não é barata, mas não especificou o valor. Veterinários consultados pela reportagem do G1 disseram que a injeção pode custar desde R$ 40 até mais de R$ 200, dependendo do medicamento usado na eutanásia.

Investigação e inquérito
Na tarde desta quinta-feira, os representantes das ONGs começaram a ser ouvidos pela polícia. O laudo das necropsias nos animais apreendidos deve ficar pronto em 30 dias. É ele que vai apontar o que causou a morte nos animais.

Se for comprovado que eles estavam saudáveis quando foram sacrificados, a médica veterinária responsável pelo departamento – que vai ser ouvida pela polícia nos próximos dias – pode ser responsabilizada por maus-tratos com agravante de morte.

O promotor Jorge Alberto de Oliveira Marum instaurou nesta quinta-feira um inquérito civil para apurar o caso e deu um prazo de 30 dias para a prefeitura prestar esclarecimentos.
Se for comprovada alguma ilegalidade, a prefeitura e os profissionais responsáveis pela Zoonoses terão que pagar uma indenização ao Fundo do Meio Ambiente.

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